preto-no-branco

* reprodução do post de 18/01/2008 do meu antigo blog Ariel Almeida.

sugiro que o mundo não rode mais. atordoa, sabe? e às vezes percebo tudo preto-no-branco. o xadrez, o claroescuro, só. só como eu sou um e todos são outro. e essas idas a médico, dentista? só servem para deixar mais confusão para a gente: um punhado de pessoas vai ao médico, tenta cuidar da saúde e esquece da cabeça.

e nem é tudo um jogo de ludo, com vários: às vezes parece que somos xadrez mesmo, um contra o outro. xadrez de preso, o onde fico na cabina e o sol quadrado lá fora, branco, não amarelo! já não diferencio amarelo de branco. não somos mais lágrimas porque elas perderam a cor, ah, a saudade do branco esbranquiçado.

atordoa. à toa dor. dor à toa. dor à tona. aparece. é porque sou ser vivo. nas entranhas do ser vivo há várias cores, mas todas elas já se misturaram na minha mente e agora tudo é branco. e, quando não existe, preto. ludo, o que eu queria sentir de novo, também é brincar. à toa estou porque à tona existe aquela dor.

e o motivo disso tudo é porque não dói. dói, mas de outra forma. um aperto no peito não é dor, é? mas faz o mesmo, o mesmo taciturno em que nos encontramos quando olhando para algo que não entendemos com o intuito de amar, mas de ter. simplesmente um colo, e é por isso que os bebês dão muita risada.

a risada é um mar de cores. alguém vê graça em luz branca? ela é composta de tanta graça que cansou. a cor é o interlúdio de uma música porque tem timbre ocular. o som puro não nos fascina! a mão não sabe tocar palmas para som puro.

por isso sou preto-e-branco hoje. estou sem ritmo, volume, timbre. não sou música nem riso, só isso. mas vai passar. que toquem as cordas, eu hei de ouvir, prometo.

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